Quem Aposta Online em Portugal: Perfil Demográfico dos Jogadores

Quando falo sobre apostas desportivas em conferências ou em conversas com jornalistas, a imagem que muitos têm do apostador típico é a de um homem jovem, urbano, com telemóvel em riste e fixação no futebol. A imagem não está totalmente errada — mas é simplista. Com quase 5 milhões de contas registadas no final do Q4 de 2025, o perfil do apostador online em Portugal é mais diverso e mais revelador do que o estereótipo sugere.
Os dados do SRIJ, que analiso trimestralmente há anos, contam uma história detalhada sobre quem aposta, onde vive, que idade tem e quanto gasta. Estes números não existem nos sites concorrentes — e são fundamentais para entender o mercado tal como ele é, não como o imaginamos.
Os grandes números — registos, jogadores ativos e volume
Há um número que costumo usar para abrir qualquer apresentação sobre o mercado: quase 5 milhões de contas registadas. Num país com 10,3 milhões de habitantes, isso equivale a quase metade da população. Mas a realidade é mais sutil do que o número sugere.
Primeiro, contas registadas não são jogadores ativos. Muitas contas foram criadas, usadas uma vez e abandonadas. Outras pertencem a pessoas que se registaram para aproveitar um bónus e nunca mais voltaram. O número que realmente importa é o de jogadores ativos: cerca de 1,2 milhões de pessoas colocaram pelo menos uma aposta no Q4 de 2025. Este é o mercado real — 1,2 milhões de utilizadores regulares.
Novos registos continuam a entrar no sistema a bom ritmo. No Q4 de 2025, mais de 230.000 novas contas foram criadas em apenas três meses. Este fluxo constante de novos apostadores alimenta o crescimento do setor, embora a taxa de retenção — quantos desses novos registos se tornam jogadores regulares — seja a métrica que realmente determina a saúde do mercado.
O volume financeiro per capita dá contexto a estes números. O mercado movimentou mais de 23 mil milhões de euros em apostas em 2025. Dividido pelos 1,2 milhões de jogadores ativos, isso dá uma média teórica de cerca de 19.000 euros por jogador por ano. Mas esta média é distorcida por uma minoria de apostadores de alto volume — a maioria dos jogadores gasta significativamente menos. A distribuição é assimétrica: um pequeno grupo de jogadores de alto volume eleva a média, enquanto a massa de apostadores casuais opera com montantes modestos que não se refletem neste número agregado.
Perfil etário — a predominância dos jovens adultos
Se pudesse resumir o perfil etário do apostador português numa frase, seria esta: jovem, mas não tão jovem como se pensa. Os dados do SRIJ mostram que 77% dos jogadores registados têm menos de 45 anos, com a faixa etária 25-34 a representar 33,5% do mercado total. É o grupo dominante, mas não esmagadoramente.
O que realmente preocupa quem acompanha o setor é o segmento mais jovem. A idade média de quem procura ajuda para problemas de jogo desceu de 30 anos para 20-23 anos. Pedro Hubert, diretor do IAJ e psicólogo clínico, colocou o problema em termos concretos ao afirmar que a descida da idade média dos pacientes revela uma aceleração do percurso para a dependência nos jovens adultos.
Entre 2023 e 2024, 31% dos novos registos nas plataformas de jogo online pertenciam a jovens entre 18 e 24 anos. Esta faixa etária é proporcionalmente mais representada nos novos registos do que na base existente, o que indica que o mercado está a rejuvenescer. As implicações para a política de jogo responsável são evidentes e urgentes.
Na faixa acima dos 45 anos, o crescimento é mais lento mas constante. São apostadores que tipicamente gastam menos por sessão, apostam com menor frequência e apresentam menor incidência de comportamentos problemáticos. A diversidade etária do mercado exige abordagens de proteção diferenciadas — o que funciona para um jovem de 20 anos não é necessariamente eficaz para um adulto de 50. Os dados do estudo Aximage para a APAJO reforçam esta leitura: 71,5% dos jogadores gastam até 50 euros por mês, mas a distribuição desse gasto varia significativamente por faixa etária, com os mais jovens a apresentar picos de gasto menos frequentes mas mais intensos.
Distribuição geográfica e nacionalidade dos jogadores
Quando comecei a analisar dados geográficos, a minha expectativa era de uma concentração esmagadora em Lisboa. Os dados confirmam a expectativa apenas parcialmente: Lisboa concentra 21,7% dos registos e o Porto 21,1%. A diferença é quase inexistente, o que reflete a bipolaridade urbana de Portugal.
O que surpreende é a dispersão fora dos dois grandes centros. As regiões do norte, do centro litoral e do Algarve apresentam percentagens significativas de registos, indicando que o jogo online não é um fenómeno exclusivamente metropolitano. O acesso universal à internet e a penetração dos smartphones democratizaram geograficamente as apostas de uma forma que os casinos físicos nunca conseguiram. A sazonalidade turística do Algarve, por exemplo, gera picos de registo no verão que não se verificam noutras regiões — um padrão que sugere que parte dos registos algarvios pertence a residentes temporários ou turistas com NIF português.
Em termos de nacionalidade, 94,6% dos jogadores registados são portugueses. Entre os estrangeiros, os brasileiros representam 49% — uma proporção explicável pela dimensão da comunidade brasileira em Portugal e pela familiaridade com apostas desportivas no Brasil. A presença de jogadores de outras nacionalidades é residual.
A concentração portuguesa é relevante do ponto de vista regulatório: o mercado é essencialmente doméstico, o que significa que as políticas de proteção e regulação do SRIJ atingem diretamente a maioria dos utilizadores. Num mercado com forte presença de estrangeiros, a eficácia regulatória seria mais difícil de garantir.
Para quem analisa o setor, a distribuição geográfica e etária dos jogadores é a base para entender que tipo de políticas de jogo responsável fazem sentido em Portugal. Os dados existem, são públicos e são mais detalhados do que em muitos mercados europeus. Falta usá-los de forma consequente.
Perguntas frequentes sobre o perfil dos apostadores
Quantos portugueses apostam online?
No final do Q4 de 2025, existiam quase 5 milhões de contas registadas, mas o número de jogadores ativos — pessoas que colocaram pelo menos uma aposta nesse trimestre — foi de cerca de 1,2 milhões. É este o número que melhor reflete a dimensão real do mercado.
Qual é a faixa etária que mais aposta em Portugal?
A faixa etária 25-34 anos domina com 33,5% dos registos. No total, 77% dos jogadores registados têm menos de 45 anos. O segmento 18-24 anos é o que mais cresce, representando 31% dos novos registos entre 2023 e 2024.
Criado pela redação de «Sites Apostas Desportivas Portugal».